segunda-feira, 28 de maio de 2012

Um ano depois...

Chargezinha que fiz na época em que foi anunciada a morte do Bin Laden.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mulheres...

Desenho que fiz pra uma campanha em prol da paridade de gênero nos cargos das empresas e demais entidades onde a predominância é masculina.
Na real acho que é só questão de tempo para as mulheres virem a mandar no mundo.
Em mim elas sempre mandaram. Algumas vezes eu gostei...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Vidinha dura...

Pedi demissão. E como este blog é uma viadagem tipo "meu querido diário", resolvi publicar a carta (dá-lhe egocentrismo!). Como se verá abaixo, sou um baita "sabonete". 

Mentira, sou sempre sincero.

Caras amigas Z. e T., antes de mais nada quero dizer que não foi fácil escrever este email. Demitir alguém não deve ser tarefa agradável, mas pedir demissão também não é. Não quando se tem uma relação de amizade com as chefes (nem mesmo o fato de ser uma reincidência minha tornou a coisa menos delicada). Outra dificuldade é escolher as palavras, tentar deixar claros os motivos e evitar mal-entendidos.
Esse intróito é porque vou fazer um desabafo (talvez nada que vocês já não saibam) e esse desabafo é panfletário (eu pretendia filosófico, na verdade). O importante pra mim é que não seja levado para o lado pessoal.

Sou um descontente, vocês sabem. E não poderia ser diferente, pois entre as minhas - talvez poucas - qualidades está a lucidez. Acho que a minha vida está longe do que considero minimamente bom, minimamente digno. É bem frustrante me ver “quarentão” e praticamente ainda na mesma situação em que comecei, há 25 anos. Na verdade, a frustração é para comigo mesmo, por não ter mais competência pra inverter esse jogo. Mas tem aí também uma dose bem grande de revolta. Porque não sou um medíocre e (ao contrário do que talvez muita gente pense) tampouco sou acomodado. Já tentei dar guinadas na minha vida. Várias vezes. Mas a engrenagem é sempre maior do que a minha capacidade (escrevo isso sem vergonha, pois não sou o único, tá cheio de gente talentosa e competente por aí que não consegue transpor esse nível de dificuldades – as exceções se contam nos dedos de uma mão). Enfim, a revolta é com a injustiça do mundo. É injusto que eu tenha que escolher entre pagar metade do meu salário num aluguel ou morar no fundo de uma vila, com meus pais, e sofrer as agruras do transporte público coletivo. É injusto que eu tenha que usar o meu horário de almoço pra garimpar livros em sebos para depois vendê-los na internet e assim aumentar um pouco (bem pouco) a minha renda. É injusto que eu tire férias para trabalhar numa feira de livros (em pleno inverno) e depois tenha que voltar correndo pro trabalho oficial. É injusto que só agora, aos 40 anos, eu tenha conseguido dinheiro suficiente para um tratamento dentário que deveria ter realizado na adolescência (e isso porque o R. me fez descontos generosos). Enfim, eu poderia ir longe com este rol de coisas que considero injustas.
Vejam bem, estou apenas externando minhas angústias, não estou culpando ninguém.
Quando vocês me chamaram um dia e disseram que tinham pensado em me demitir por que eu “estava custando mais do que dava retorno”, meu pensamento imediato foi: “sacanas... olha só como me tratam!”. Depois pensei: “putz... então não estou dando retorno algum, pois meu salário é tão pouco”. Somente depois é que fui considerar a posição de vocês. Mas isso é sempre difícil para um funcionário. Não faço ideia (e nunca fiz questão de saber) do quanto fatura uma empresa como a V. e de como é feita a divisão do bolo. Não penso nisso, simplesmente faço o meu trabalho. Acho (sempre achei) que um contrato firmado é uma aceitação de termos e um comprometimento. Se o sujeito não está contente, então que pule fora. Se não pode pular fora, então que se resigne e faça o que se propôs a fazer. Penso que sempre agi assim. Sei que tive algumas crises de apatia em certos momentos, mas isso nunca turvou a consciência de que eu era pago pra fazer um trabalho.
Só que na maior parte do tempo era isso: resignação mais do que satisfação (como é para 99,9% da humanidade, provavelmente). Não vejo como poderia haver satisfação em passar a maior parte do meu dia em frente a um computador, fazendo coisas muitas vezes chatas e ganhando por isso apenas o suficiente para necessidades básicas e para estar ali, ativo de novo, no dia seguinte. Nenhuma possibilidade de crescimento financeiro, nenhuma chance de adquirir algo sólido, duradouro, pra modificar e melhorar a vida. É assim na V., foi assim em todas as empresas por onde passei. É a vida de todo mundo que eu me recuso a aceitar.
Não estou dizendo que existe aí uma má-intenção. Reconheço as iniciativas da “V” para ser uma empresa mais humana. Como eu já falei, isto não é pessoal. Tenho um carinho muito grande por vocês e seria um ingrato se não admitisse que tivemos alguns momentos agradabilíssimos juntos. Z. e T., enquanto amigas, são inestimáveis. Enquanto chefes, talvez não possam ser diferentes do que são. Acredito sinceramente nessa impossibilidade e por isso estou escrevendo este email. Mas sou um cara de 40 anos que lê, que pensa... Acho absurda esta vida de escravidão moderna. Continuar resignado com isso está além das MINHAS capacidades. Eu quero, preciso de algo mais.
Já faz muito tempo que entendi que trabalhar para os outros não leva a nada, que o lance é ser o próprio chefe. Só que isso é bem difícil. Já tentei em outros tempos e, por uma série de fatores, não deu certo. Mas sou um revoltado, só o que posso fazer é continuar tentando. Trabalho dois ou três anos em algum lugar, junto um dinheirinho e vou de novo. Nova empreitada, nova tentativa, velho anseio. Vou aprendendo, mas parece que a cada vez se torna mais difícil.

Bom, este email é pra dizer que vou tentar de novo. Vou morar na praia. Além de estar assumindo minha natural inclinação para a reclusão, pretendo minimizar custos. Aluguel, principalmente. E como vou precisar de todo o dinheiro de que puder dispor, quero pedir que vocês, por favor, me demitam. O famoso “acordo”. Não sei se ainda é como antigamente (meu último trabalho de carteira assinada foi na Vz), espero que sim. O Fundo de Garantia e o Seguro Desemprego vão me dar algum fôlego. Além deles, pretendo levantar uns pilas na Feira do Livro de Canoas deste ano. E é por isso que estou fazendo este pedido agora. Posso cumprir meu aviso prévio em maio e, imediatamente após, trabalhar na Feira, que começa em 1º de junho.
Sei o que vocês pensam sobre aviso prévio. Da minha parte só posso garantir que a minha relação com o trabalho continua a mesma, assim como a minha relação com vocês. Sou um funcionário da V., mas antes um amigo da casa. Estou saindo pra tentar melhorar minha vida. Enquanto não saio, continuo fazendo as coisas com seriedade.

Acho que era isso. Desculpe tomar tanto do tempo de vocês. Me estendi assim por achar que devia ser honesto (a maneira abrupta como saí da V. na outra vez – embora não pudesse ter sido diferente – me deixou um pouco chateado à época). Além disso, considero este email uma carta para amigas.

Telmo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mens sana in corpore sano

Desenho que pretendo colocar numa camiseta. A partir de junho/julho minha vida vai mudar radicalmente. Desenhos e camisetas fazem parte dessa guinada. E os livros continuarão junto, claro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Aborto


Não importa quantos e quão pertinentes sejam os argumentos a favor do aborto, uma coisa é fato: trata-se de tirar uma vida, trata-se de assassinato. Não tem eufemismo nem mudança de paradigma que vá atenuar isso. Num mundo ideal não haveria gravidez indesejada, não haveria estupro, não haveria abandono. Mas como não vivemos no mundo ideal é preciso abordar estas questões e buscar a melhor maneira de solucioná-las. Penso que isso se faz não com senso prático, pragmático (ditado por este estilo de vida capitalista que se leva), mas recorrendo à ética. E por que ética? Porque é o que temos de melhor, é o que nos humaniza. É um regulador moral que pode ser usado universalmente.
Do ponto de vista ético, não tem o que discutir: não se tira uma vida. Esse papo de que “a mulher é dona do seu corpo” vale pra qualquer coisa que ela queira fazer com o próprio ATÉ O MOMENTO EM QUE O CORPO DEIXA DE SER UM SÓ. Até o momento em que existe um outro ser humano ali. A mulher nasceu com a capacidade de parir e, consequentemente, com uma responsabilidade. É uma contingência. É inelutável, incontornável. É um fato que pede apenas resignação.  É claro que essa responsabilidade é também do homem. No caso de um aborto, esse homem é, indiretamente, também assassino desta criança, mas o peso maior desta decisão e deste ato, será sempre da mulher. É ela quem vai sofrer o baque emocional. É ela quem vai ter seu corpo invadido. É ela quem vai correr o risco de trauma ou mesmo de morte. Não é o mundo ideal. É muito peso sobre os ombros, mas o que uma mulher pode fazer senão ser forte? E ser forte (eu pediria perdão às feministas se me preocupasse com o perdão delas) não é decidir por um ferro invadindo o útero.
É chover no molhado dizer que as pessoas deveriam tomar mais cuidado quando trepam. As causas que levam a uma gravidez são as mais variadas e as razões que levam à interrupção de algumas destas gestações são também inúmeras. Muito dessa bagunça depende, basicamente, de educação e qualidade de vida para ser solucionado. Estamos longe disso. Milhares fetos vão continuar parando nas latas de lixo. Cada vez mais, provavelmente. O aborto vem conquistando adeptos ao longo dos anos. Vem ganhando cara de “avanço político”, “avanço de mentalidade”. Sou um cara de esquerda (e ateu), execro preconceitos e conservadorismos perniciosos, mas acho que esta “simpatia” pela causa do aborto é um dos maiores equívocos do nosso tempo. É bárbaro. É desumano.
 “Ah, a criança vai nascer e viver na pobreza”, “sem um pai”, etc. Buenas, não importa. O direito primordial é o de nascer – uma vez que já é uma vida, já é um ser humano. Como vão se resolver as coisas depois neste mundo torto é outra história. Ela pode ser adotada, ela pode acertar na mega-sena, ela pode estudar e vir a ser alguém muito importante... enfim, ela pode. Aquele feto é um ser humano com um futuro em aberto, tudo pode acontecer. Uma mãe é a ligação mais forte, é o sustentáculo dessa nova vida, mas não tem o direito de decidir sobre ela. Pelo contrário, tem a obrigação moral de tentar torná-la a melhor possível (um pai também, e graças aos céus hoje existe exame de DNA e uma lei bastante rigorosa pra garantir a pensão alimentícia de uma criança – isso não contempla todas as situações, mas já é um alento para boa parte delas).
E vou mais longe. Acho que o aborto é um erro (do ponto de vista humano e filosófico) mesmo em casos de estupro e incesto. Não sou insensível a toda carga psicológica aí envolvida. Não tenho dúvidas de que uma mulher atingida pela violência nunca mais será a mesma. Imagino todas as angústias e contradições que vive uma mãe na obrigação de dar afeto ao fruto de um ato indesejado. Sei que é pedir demais para algumas delas. Mas a questão é: um erro justifica outro? Esse feto, essa criança se desenvolvendo na barriga é um outro ser humano, não é o violentador. Essa criança é também um pouco (ou muito) da mãe. Ela pode vir a ser o melhor ser humano do mundo se for bem educada. Mas principalmente é uma coisa viva, com coração, veias, sangue... tudo isso pulsando. Um aborto é o fim desta coisa viva, é um assassinato. Será que uma pessoa tem o direito de matar outra pra garantir sua paz de espírito? Será que não existem outras maneiras de conseguir esta paz? As pessoas se horrorizam quando veem cenas de morte na televisão. É curioso que muitas encarem o aborto com mais complacência. Então não é a mesma coisa? Não se trata de uma vida humana sendo eliminada? Por favor, deixem de hipocrisia!
Acho o aborto justificável apenas em duas circunstâncias: quando existe comprovado o risco de vida para a mãe (ainda assim, com muitas ressalvas, porque “risco” significa que pode ou não acontecer alguma coisa) e em casos de anencefalia. Todo o resto, inclusive casos de crianças que nascem com problemas (síndrome de Down, má formação, etc), devem ser assumidos corajosamente. É ruim, claro. É anular parte da nossa vida pra viver a de um ser com necessidades especiais. Tem vergonha, constrangimento, cansaço, dor, tristeza, enfim, um monte de sentimentos desagradáveis nestas situações. Mas o que mais se pode fazer quando entendemos que somos humanos? Matar não nos torna melhores de maneira alguma.

E claro, também corremos o risco de ter momentos de muita alegria com estes filhos não abortados. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Stairway to heaven

Ilustração que fiz pra uma reportagem sobre os índices (baixíssimos) de leitura no Brasil. Acabou não saindo. A editora preferiu colocar uma foto. É pena... achei (modéstia de lado) que ficou bem simpática.
Queria muito que as pessoas entendessem que quando a gente lê (os livros certos e do jeito certo), começa a ver as coisas de cima. É um tipo de escada mesmo. Mas as pessoas têm preguiça de subir escadas... e nesse caso, não tem elevador.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Daquelas...

No Tutti, terça-feira passada... tive que fazer um desenho.

quarta-feira, 14 de março de 2012

O cara

O Laerte já fez milhares de coisas geniais. Aqui, mais uma.
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Porra, Laerte... como é que a gente faz pra ser fodástico assim?!!!

terça-feira, 13 de março de 2012

A beleza dos muros


quarta-feira, 7 de março de 2012

Quero uma cafeteira assim

Muito boa.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O Artista

Um pouco do que faço na agência de publicidade onde trabalho. De cima pra baixo:
- uma ilustração para uma matéria sobre os "contras" do IDEB, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica;
- uma ilustração para uma matéria sobre as origens da cachaça;
- frente e verso (verso e frente, na imagem) de um livreto do Programa Escola Cidadã, da prefa de Novo Hamburgo;
- uma ilustração e parte de um folder para orientação de pequenos empreendedores, também de NH;
- "cartolas" (alguns chamam de vinhetas) para uma revista de turismo da chamada Rota Romântica.

Olhando assim, parece fácil... mas às vezes é foda ter ideias boas. Estas cartolinhas, por exemplo, minha chefe chegou e disse: ó, Telmo... bola aí uma coisa bem legal pra estes itens: serviço, roteiros, curiosidades e agenda. E lá foi o Telminho pensar, pensar, pensar e depois rabiscar, esboçar, desenhar, redesenhar, colorir etc...
Não tô reclamando, mas eu bem que podia ganhar uns dez mil por mês. Porra, me puxo pra caramba!

(clique na imagem, depois dê um clic no botão direito do mouse, depois clique em "abrir imagem em uma nova guia", depois dê outro clic para ampliar - pronto, você estará vendo essas coisas maravilhosas em tamanho grande... não é fantástico?).

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Twiggy, Twiggy - Pizzicato 5

Eu tinha 18, talvez um pouco mais, quando a MTV surgiu por estas bandas. Eles eram realmente um canal de músicas na época e não essa babaquice adolescente que é agora. A gente podia até não gostar de alguns clipes, mas deixava a TV ligada e ficava ouvindo. De vez em quando tocava umas coisas "do além", como esse pessoal aí de cima. Total non-sense. Pior que eu curtia.
Buenas, é isso... nem só de "Smells Like Teen Spirit" é feita a nostalgia deste quarentão simpático.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um fim de semana

Sábado, acordo tarde. Quase meio-dia. Mesmo assim, tomo um café. Vou almoçar lá pelas 3, 4 da tarde. Saio. Tenho que pegar uns livros que deixei reservados no sebo e também quero acessar internet no meu trabalho (isso tudo a umas três quadras do meu apê). Dos dois livros que tinha reservado, só pude pegar um. Grana insuficiente. Livros caros, mas que valem ainda mais. Pretendo vendê-los no Estante Virtual. Um deles, da Simone de Beauvoir: “Memórias de Uma Moça Bem Comportada”. A guria da loja, minha amiga, disse que o livro é sobre a vida dela. Rimos os dois. Não existem mais moças bem comportadas. Assim espero, pelo menos. Na empresa, a internet fora do ar. Penso em mexer nos hubs, roteadores, servidores e sei lá mais o que, mas desisto da idéia. Certamente ia fazer merda. É uma pena, precisava pesquisar o preço de uns livros que vi ainda num outro sebo. Um Adorno, um Bertrand Russell, um Sérgio Buarque de Holanda, um W. B. Yeats e um Blaise Cendrars. Decido pegar uns desenhos que estou fazendo e levar pra casa. Mas não estou com o meu pen-drive. Procuro um por lá, não acho. Saio. Vou pra uma lan-house no shopping Rua da Praia e aproveito pra ver a programação de cinema. Sempre que vejo um filme é ali, ou no Vitória ou na Casa de Cultura Mario Quintana. Os baratinhos. Quero ver esse último do Brad Pitt, mas não tá passando. Acesso a internet ligeirinho. Exceto pelo Adorno, nenhum dos livros que vi valia a pena pra revender. Olho meu email. Vendi um livro. Oba! E dos mais carinhos. O Estante Virtual inventou uma porra dum pagamento online. Agora, além dos 5% que o site cobrava, esse PayPal filho da puta me come mais 7%. E fica com a minha grana guardada. Só posso retirar acima de R$ 250,00, ou pagar R$ 3,00 por transferências de valores menores. Odeio cartões de crédito e odeio estes intermediários que ficam cobrando por “serviços” que não pedi pra inventarem. Eu sei, as pessoas adoram usar seus cartões. Dizem que “facilita a vida”. Vão tomar no cu, todo mundo. A gente deveria andar com dinheiro no bolso e só gastar o que pode.
Buenas, de qualquer maneira, tá ficando desinteressante esse meu esquema de venda de livros. Ainda mais que os sebos antes sem noção onde eu garimpava agora estão mais antenados para o valor de alguns títulos. Sim, é uma espécie de picaretagem isso que eu faço, mas mesmo assim, muita gente foi feliz com ela. Desde 2007 vendo livros pro cantos mais remotos do Brasil. Meus preços lá no EV são os mais baixos. Um cara lá do Piauí comprou um livro que ele queria muito e pagou metade do que pagaria numa loja de novos ou mesmo no EV.
Voltei pra casa. Fiz um rango. Botei rolar – aleatório - uma seleção de músicas no computador (Bob Dylan, Johnny Cash, Crosby, Stills & Nash, George Harrison e a trilha sonora de I’m Sam) e fui organizar uns desenhos que quero usar pra fazer estampas de camiseta (minha idéia fixa do momento pra virar chefe de mim mesmo). Quando as músicas chegaram ao fim, tentei tirar um som que a minha filha pediu: I’m Yours, de um tal de Jason Mraz. Ela quer gravar um vídeo e apresentar na festa de 15 anos de uma prima (que adora a música). Coisa simples, um reggaezinho com basicamente quatro notas, ainda assim tô apanhando pra tirar. Na música sou um embuste total. Mas o aniversário é em setembro. Até lá, sai.
Desisti do reggae e decidi olhar o último episódio do Big Bang Theory, que toda semana um colega de trabalho baixa. As legendas (mesmo pra mim que sou uma anta em inglês) às vezes deixam a desejar, mas é legal mesmo assim. Sempre rio muito, é genial. Depois fui cortar as unhas dos pés, que já estavam quase furando as meias (odeio cortar as unhas dos pés – principalmente a do dedão direito, que cresce encravada). Depois fui passar fio dental por baixo de uma ponte fixa que estou usando. Os dentes que sustentam a coisa foram desgastados e ficaram sensíveis. Dói usar a porra do fio dental. Aliás, também odeio passar fio dental. Depois fui arrumar o quarto, que tava foda. Depois lavar uma louça e torcer umas roupas que tavam de molho há quatro dias. Lavar roupa é um saco! E quando vi já era bem tarde. Hora de jantar. Meu colega de apê saiu, aproveitei pra ver um filme pornô. Me masturbei, claro. Filme bom como há tempos não via. Atrizes bonitas e convincentes quando faziam caras de prazer e fingiam orgasmos (tenho dúvidas se não eram orgasmos de verdade). As cenas bem feitas (do jeito que eu gosto, pelo menos). Tinham pelos pubianos as moças, o que não é muito comum em filmes pornô (algum imbecil, algum dia, inventou que aquela região fica melhor depilada... tsc, tsc, tsc).
Dia cheio. Escovei os dentes e fui dormir. Meus vizinhos de cima, monstros do inferno, fizeram barulho até umas duas da manhã. Na real até umas três, porque teve a história de atrasar o relógio pelo fim do horário de verão. Porra, adoro o horário de verão. Por mim, não acabava nunca. Aliás, acho que é exatamente nas outras estações que ele deveria vigorar. Se no inverno anoitece mais cedo, então é mais sensato que tenhamos a ilusão de que são 20h quando na verdade são 19h, não concordam? Quando eu governar o mundo, isso vai mudar.

Domingo. Acordei tarde de novo. Tomei café, de novo. Fui ler um pouco. Terminei uma antologia de contos - organizada pelo Sergio Faraco - intitulada “Contos Brasileiros”. Boas surpresas tive ali. A melhor delas um tal de João Antônio e o conto “Meninão do Caixote”, extraído do livro “Malagueta, Perus e Bacanaço” (que já possuí, mas ignorei totalmente). Duas decepções: um Moacyr Scliar e um Sérgio Sant’Ana (dois dos maiores, mas os contos escolhidos... fracos). Também comecei a leitura do livro “Um Escritor no Fim do Mundo”, relato da viagem que o (também escritor) Juremir Machado da Silva fez à Patagônia com Michel Houellebecq. Dois caras estranhos numa terra estranha (a do Fogo), o livro pode ser interessante. Eu, já de cara, dispensaria as páginas de fotos. Coisa muito sem graça é ver gente posando com geleiras ao fundo. Aliás, gente posando em qualquer circunstância é uma coisa de gosto meio duvidoso.
E no banheiro mantenho o livro “Notícias da Chácara”, do paranaense Domingos Pellegrini. Um bom livro. Vou lendo e aprendendo coisas que pretendo aplicar quando fugir da cidade (e dos seus debilóides) pra uma chacarazinha em algum lugar retirado.
Já que estou falando em livros, um adendo - os títulos que encarei desde aquele meu levantamento de todas as minhas leituras: Trilogia Suja de Havana – Contos, Pedro Juan Gutiérrez (o primeiro dele e o melhor dentre todos que li); O Mundo Fora dos Eixos – Crônicas, Bernardo Carvalho (sensacional... o cara é foda); Medo e Delírio em Las Vegas – jornalismo gonzo, Hunter Thompson (massa pra caralho, me deu vontade de usar drogas (eu, o maior dos caretas)); O Zen nas Artes Marciais – relatos, Joe Hyams (bem legal, embora pareça auto-ajuda) e os quadrinhos “Daytripper”, dos irmãos Ba e Moon (boooooring... esses caras desenham pra caralho, mas suas estórias, cheias de sensibilidade e intimismo, me dão no saco – são uma espécie de Los Hermanos dos quadrinhos, uma coisa quase gay... e quase gay é gay demais pra minha cabeça) e 100 Balas, de Eduardo Risso e Brian Azzarello (fenomenal, coisa boa mesmo, bem diferente dos alardeados – e idiotas – Brian Vaughan e Mark Millar (entre outros)).  Também reli algumas coisas: os quadrinhos “O Cavaleiro das Trevas” do Frank Miller (que além de seminal é, até hoje, uma coisa sem paralelos, sem comparações) e Prelúdios e Noturnos, do Neil Gayman (deleite sempre garantido). Também reli os livros “Partículas Elementares”, do supracitado Michel Houellebecq, e “Até o Dia em que o Cão Morreu”, de Daniel Galera. Acabei relendo estes porque um belo dia me vi pegando um ônibus pra praia logo após ter saído de um sebo onde encontrei-os por um preço bom para revenda. Foi providencial, pois não havia pego nada pra ler. O Galera é bom (dos três que li dele, é o que mais gosto) mas o Houellebecq, relido dez anos depois, me decepcionou um pouco. Devo ter lido mais coisas, mas esqueci ou não julgo digno de nota (como os quadrinhos “Bordados”, de Marjane Satrap e “Aya de Yopougon”, de Abouet e Obrerie, por exemplo)
Bom, continuando com o domingo.
Depois de ler esse tanto, decidi sair e comprar coisas pro almoço. Precisava de ovos. Na esquina do boteco encontro um passarinho caído no chão. Pequenino ainda, pouco mais que um filhote. Pego o bichinho e seguro firme para que não escape. Pretendo levá-lo pra casa e alimentá-lo com pão (integral, com sementes) até que tenha condições de voar de novo. Ele se agita um pouco. Passo o dedo na sua cabeça tentando acalmá-lo. Então vejo que ele faz mais força, tenta se debater. Cogito largá-lo no galho de alguma árvore, mas então, sem mais nem menos, ele morre. Simplesmente para de fazer força e a cabecinha desfalece, completamente mole, para o lado. Senti uma tristeza imensa. O bicho morreu na minha mão. É uma sensação horrível (me lembrou o trecho do livro do Daniel Galera, onde o personagem fica observando os últimos minutos do seu cachorro, tentando captar o momento exato em que a vida abandona o corpo do bicho). Fiquei abatido. Larguei o corpo inerte no pé de uma árvore e fui comprar minhas coisas. Na volta ainda olhei o bichinho, uma esperança de que tivesse sido só um desmaio (se é que bichos desamaiam). Aos 40 anos – nunca antes - uma criatura morreu na minha mão, que coisa estranha e triste!
Em casa fiz um rango. Pretendia nadar à tarde. Olhei o celular, ainda com o horário de verão, e decidi ver um filme antes de ir pro clube. Tinha no computador um documentário esperando já há algum tempo pra ser visto: “Quem Matou o Carro Elétrico”. O nome diz tudo. Um filme sobre o porquê de um projeto de carro movido a energia elétrica – desenvolvido pela GM – não ter vingado. Não vou contar o filme, mas é aquilo tudo que já sabemos: interesses das grandes montadoras, do mercado de petróleo e dos conchavos entre políticos e grandes empresários. A filhadaputice de sempre. O curioso neste caso é que a GM chegou a desenvolver o carro, produziu centenas deles, repassou para clientes (satisfeitíssimos com a aquisição) e depois, quando por alguma razão obscura resolveu abortar o projeto, retirou um por um das ruas e mandou todos pra uma daquelas prensas que transforma carros em blocos de metal retorcido e vidro estilhaçado. Será que existe coisa mais assustadora que um americano engravatado? Juiz, advogado, empresário, político, publicitário... estes tipos são terríveis em qualquer lugar, mas os americanos parecem infinitamente piores. Sou maniqueísta, foda-se! Pra mim esses caras são o mal encarnado (quem leu Elektra Assassina tem uma idéia do que estou – metaforicamente – falando).
Buenas... fui nadar. No caminho passei no super pra comprar sabonete. Depois, na rua, encontrei um ex-colega de trabalho, o Ben-hur. Estava conversando com ele quando surgiu uma guria - amiga de um amigo – que conheci nas famosas noites de terça, no Tutti, o bar dos cartunistas na escadaria do viaduto da Borges. Ela disse “oi, Telmo” e eu me impressionei por ela lembrar meu nome, algo que todo mundo esquece por achar “diferente”. Já eu não lembrei o dela. Quando estou conhecendo alguém, lembro sempre do signo, quase nunca do nome (claro, signos são só doze). Geminiana, essa. E bonita. Achei-a mais bonita do que quando a conheci no bar. Já íamos entabulando uma conversa quando ela se deu conta de que esquecera a carteira em casa. Poxa... e eu que já ia desistindo da natação. O jeito foi me encaminhar. Esperança de ver alguma gostosa na piscina. Mas que nada! Tava devagar. Melhor assim, talvez. Piscina cheia é um saco. Nadei meus mil metros (crawl e costas) em 45 minutos e voltei pra casa. Tomei um café e decidi ver um filme que o meu colega de apê emprestou: O Expresso da Meia-Noite. Antigo, mas eu nunca tinha visto. Foi legal. Nisso passaram mais duas horas. Depois sentei na frente do PC e resolvi escrever este texto. Acho que estou há umas três horas nisso. E por quê? Sei lá. Provavelmente ninguém lê uma coisa destas, só tem interesse pra mim. É uma forma de loucura, desconfio. Sei que não sou muito normal. Desperdiço uma energia danada em coisas infrutíferas. Agora vou fazer uma janta (leve, pois estou com gastrite de novo), aparar minha barba, raspar minha cabeça, escovar os dentes e dormir. Espero que seja uma noite boa de sono (com gastrite, tenho pesadelos horríveis).
Mais um fim de semana na minha vida. Já tive melhores e já tive piores.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Novos tempos...

Chargezinha que fiz pra uma notícia sobre distribuição de notebooks em algumas escolas.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Das coisas que eu não gosto (III)

CACHORRO EM APARTAMENTO - Hoje, quando vinha pro trabalho, passei por uma mulher e seu cachorrinho. O bicho usava calçados!!! Quatro pequenas imitações de tênis. Um mendigo recostado a uma parede olhou aquilo e pareceu tão embasbacado quanto eu. Baixei a cabeça e segui meu caminho: MUNDO, ACABE LOGO, POR FAVOR!!!
As pessoas estão doentes. Doentes da cabeça, como sempre estiveram, mas estão ficando cada vez piores. Um bando de gente de merda que não lê livro algum (quando lê é: espírita, auto-ajuda, esotérico, Best-seller...), um monte de carne e banha transitando pra um lado e pra outro sem pensar, consumindo, consumindo, consumindo, assistindo televisão, ouvindo música ruim, torcendo por times de futebol, fumando, dirigindo seus carros, pagando estacionamento, pagando IPVA, pagando a prestação disso e daquilo, produzindo e jogando na calçada toneladas diárias de lixo e esperando deus ajudar. SE DEUS EXISTISSE, FULMINARIA VOCÊS INSTANTANEAMENTE, TURBA DE ACÉFALOS! VOCÊS SÃO O MAL!!!
Vou explicar o que acontece, como essa coisa de ter um bicho de estimação virou uma das principais mostras de que as pessoas estão sendo acometidas de doença mental grave. Basicamente é assim: o ser humano, em geral, é um merda. Não sabe comer, não sabe respirar, não sabe fazer sexo, não sabe pensar, etc, etc, etc. Como é que um inepto destes vive? Fazendo merda o tempo todo. Fazendo tudo errado e detonando o planeta. Mas se ele come demais, ou se ele fuma demais, ou se ele usa anti-depressivos, ou se ele se afunda no cartão de crédito ou no cheque especial é porque, afinal de contas, o coitado sofre e precisa ter uma válvula de escape, não é mesmo? NÃÃÃÃÃOOOOO!!!! Não é mesmo!!!!  Existem outras maneiras de superar os problemas (LIVROS, TURBA DE ACÉFALOS, LIIIIIIIIIIIIIVROOOOOOOSSSSS - POR QUE É TÃO DIFÍCIL TENTAR MELHORAR COMO SER HUMANO? Por que é uma coisa d’outro mundo ler um Tchekhov? Um Saramago, que seja?).
Os bichos, que estas pessoas patéticas trouxeram para viver em apartamento, são apenas mais uma válvula de escape, mais um equívoco.  Se o sujeito não sabe comer, dormir, respirar, sentar, ler, trepar, etc, não é de se esperar que ele saiba se relacionar com os outros. Isso inclui pais e filhos. Não tenho dúvida alguma de que esse mundaréu de animais que invadiu as ruas das cidades nos últimos anos é o resultado de uma feroz carência afetiva que assola meio mundo. É muito mais fácil se relacionar, projetar a afetividade num cachorro do que num ser humano. Um cachorro não cobra, nunca vai dizer “mas que merda de educação tu me deu. Hein, pai?!!!”, ou “que bosta de filho tu acabou saindo. Hein, garoto?!!”.
Já vi gente que trata melhor seus cachorros do que os seus filhos (você já deve ter visto também). O que é isso senão incapacidade intelectual e psicológica? O sujeito, que era um merda, deu uma educação de merda para o filho que então virou um merda que levou a merda adiante. Que tipo de conhecimento vai passar uma pessoa que não tem nenhum? O cara que vive assistindo aos jogos do “timão” vai legar esta “paixão” ao filho. A senhorinha que não perde um capítulo da novela das oito vai fazer o mesmo. E assim a coisa vai degringolando. Pois bem, essa gurizadinha cresce vazia. Não sabe fazer nada além de pedir dinheiro pra ir pro shopping, jogar vídeo-game, navegar na internet e ouvir uma música idiota qualquer. Chega um momento em que essa ausência total de coisas de qualidade na vida do pequeno rebelde cobra seu preço. Não existe uma figura sólida o suficiente para que eles respeitem e então vêm as crises. Seria muito bonito dizer que é um pedido de socorro (pai, mãe... me mostrem que a vida é um pouco mais do que isso!), mas a verdade é que o bichinho, já devidamente condicionado, não tem parâmetro algum pra desconfiar que existe algo além do seu prazer imediato e sempre insuficiente. Pais medíocres, filhos medíocres. Pais estúpidos, filhos estúpidos. Pais fumantes, filhos fumantes. Pais gordos, filhos gordos, pais fanáticos por futebol, etc, etc, etc. VIVA A INFINITA E HEREDITÁRIA ESTUPIDEZ HUMANA!!!!  
Aí entram os cachorros (e gatos, menos frequentemente). As pessoas projetam o seu potencial afetivo no quadrúpede e têm um retorno imediato. Como é bom ser amado!!! Deixa o bicho roer o sofá. Deixa ele mijar no tapete de vez em quando. Deixa os pelos na cama e nas roupas. Deixa o cocô na calçada (algumas deixam mesmo,  outras juntam – coisa nojenta que me faz pensar que sim, elas estão realmente desesperadas por afeto). Elas andam pelas calçadas chamando seus cachorros de “meu filho”, ‘minha filha”. Na minha rua, quase todos os dias, passa uma mulher com dois cachorros na guia e mais três NUM CARRINHO DE BEBÊ!!!! Gente como ela compra (pra alegria deste rentável negócio chamado Pet Shop) uma infinidade de produtos que vão do mais esdrúxulo ao mais despropositado (visite um site de uma loja destas, é uma incursão melhor que a psicanálise na insanidade humana). A síndica do meu prédio tem dois “lingüiças” que fazem um barulho infernal e latem o tempo todo quando ficam sozinhos no apartamento (e eu, que saí da Mathias porque não suportava – entre outras coisas – o escarcéu da cachorrada!). Dia desses fui pagar o condomínio e quase não consegui respirar, parado na porta do apartamento dela. O cheiro (a murrinha) de cachorro era insuportável. Fico imaginando esses bichos cagando e mijando dentro de casa (já ouvi caso de gente que, morando num JK, criava um labrador), babando e soltando pelos pra todo o lado. É asqueroso. E cruel para com os bichos. Vejam bem, não tenho nada contra os animais, até gosto deles, mas o pessoal tá forçando uma barra quando traz para dentro de um apartamento um bicho que sempre viveu num pátio. É anti-natural. Sim, eu sei que tem muitas outras coisas anti-naturais acontecendo, mas se isso é argumento pra fazer cada vez mais e mais merdas, então meta logo uma bala na cabeça e acelere esse processo de degradação (sim, eu acho que botar um cachorro dentro de casa é um tipo de degradação). Não seria tão difícil aceitar que o cão (ou gato) virou o Prozac de algumas pessoas (melhor um bicho do que um químico, a mim parece) se não fosse o fato de que cachorros e apartamento são uma mistura infeliz.
O mundo vai continuar mudando (gostaria que não, gostaria que acabasse mesmo no fim de 2012) e eu não imagino onde vai parar essa maluquice com cachorros. Se eu ganhar alguma grana, me mudo pra bem longe de toda essa gente demente que vive nas cidades. Se eu não ganhar, talvez acabe um dia sendo linchado por donos de cachorros... por que é difícil esconder a minha raiva: VÃO SE TRATAR, SEUS FRACOS DE ESPÍRITO! VOCÊS SÃO TODOS UNS DOENTES!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E eu preferia a Daphne...

Não lembro o que estava procurando, mas de repente me apareceram dezenas de Velmas sexys no Google Imagens. Caracas, a rapaziada tem tara na guria. Pior que comecei a gostar também.
(qd abrir a imagem, clique com o botão direito do mouse e escolha "abrir imagem em uma nova guia", depois use a lente para ampliar e ver maiores detalhes dos desenhos).

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Quase acertou...

Nós nunca fomos mais inteligentes. O que acontece é que as pessoas estão tendo cada vez mais oportunidades de mostrar a sua estupidez latente.
De todas as merdas da televisão (mais ou menos 99% da programação geral), o que mais me irrita, o que mais me dá vontade de virar um psicopata e sair dizimando todo mundo com um lança-chamas ou uma metralhadora é o Big Brother. Não consigo nem adjetivar aquilo. Se tem algum amigo meu que vê aquela merda e está lendo este texto agora, saiba: EU NÃO QUERO MAIS SER SEU AMIGO!

Morram todos os participantes de Big Brother. Morra, Pedro Bial! Morra dolorosamente!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Custe o que custar?

Pretendo escrever um texto falando mal da televisão (destes, caudalosos, que não dão em nada - enfim, sigo minha sina quixotesca). Até isso acontecer vou vendo, no YouTube, coisas ridículas como esta:
http://www.youtube.com/watch?v=kq2fSa9xN3Y

Não consigo suportar a arrogância deste cara e o quanto ele e os demais do CQC são superestimados. Poderia listar aqui um monte de coisas idiotas, tendenciosas, mal-intecionadas e forçadas daquele programa, mas bah... não tenho mais saco. Fica abaixo o comentário que postei no YouTube (veja o vídeo primeiro):

Numa coisa você acertou, Bastos: VOCÊ ESTÁ CAGANDO!!! Você caga pela boca. Seu nome deveria ser Rafinha BOSTAS. Existe uma diferença grande entre humor crítico e humor irresponsável. Vocês do CQC perderam a mão. Umas noções de ética não fariam mal, mas quem vai se preocupar com isso se o dinheiro tá entrando, não? O CQC é composto por, basicamente, dois tipos: os vacas de presépio (do qual Marco Luque é o maior representante) e os arrogantes pseudo críticos (e mau caráteres). Você faz parte do último e é o pior de todos. Eu gostaria que Wanessa Camargo e toda a merda da televisão e da música brasileira explodissem. Mas não se sinta respaldado. Você tá no pacote. Você e seus amigos do CQC: enquanto enchem os bolsos e vão ficando "famosinhos", não percebem o desserviço que estão prestando. Ou percebem, mas que se foda, não é mesmo? O importante é dar orgulho pros teus pais! Que piada! (ah, é... você é um contador de piadas).

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sonzeira!!!

Watchmen - escrito pelo Alan Moore e desenhado pelo Dave Gibbons - foi um marco na história dos quadrinhos. Demorou muito tempo para fazerem um filme da HQ porque a obra tinha recursos narrativos bem difíceis de explorar em linguagem cinematográfica. Mas foi feito. E bem. Os caras suprimiram algumas coisas, se permitiram certas licenças criativo/autorais em relação a outras e o filme saiu sensacional (minha opiniãozinha). A trilha sonora também é de primeira. Como a história tem flashbacks que remetem aos anos 60 e 70, rolam boas músicas dessas épocas.

Aperte o "play" e deixe o Jimmi cantar uma pra você.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma charge...

Fiz há algum tempo, mas acabou não saindo. Não culpo os editores, sei que não tenho a manha pra fazer humor, nem mesmo humor crítico.
Ainda não descobri para o que, afinal de contas, eu tenho a manha. Até isso acontecer, vou enganando aqui e ali. Mais um meia-boca no mundo...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Das coisas que eu não gosto ( II )


CIGARRO - Segundo a Organização Mundial da Saúde, 3 milhões de pessoas morrem, por ano, vítimas do tabaco. Pela quantidade de adolescentes que vejo fumando hoje em dia, desconfio que este número vai aumentar. Bastante. Cadê os pais destas criaturas, pra evitar que isso aconteça? Ah, eles estão fumando lá do outro lado. Mas que beleza de mau exemplo, hein?!! Aqui em Porto Alegre me impressiona também o monte de mulheres que fuma. De cada dez “crivos” que vejo acesos, 7 ou 8 estão em mãos femininas. A vida delas deve estar uma merda mesmo!
Eu não sou um cara careta. Acho que todo mundo tem o direito de fazer o que bem entende da sua vidinha, desde que as conseqüências não afetem os outros. Claro, um sujeito que morre vítima de câncer vai acabar afetando a vida de outras pessoas, mas não é deste tipo - tão profundo e emocional – de interferência que estou falando. Refiro-me às conseqüências mais imediatas, enquanto o vício é ainda um prazer. O cara quer cheirar? Vai lá. Mas depois não saia fissuradão na rua, dirigindo irresponsavelmente ou querendo arranjar briga com todo mundo. Quer injetar? Beleza. Quer um “doce”? Tranquilo. Quer Ecstasy? Comprimidos? O que seja... foda-se! Vai lá, meu chapa, a vida é tua. Mas não venha encher quem não tá na mesma onda.
Claro, isso é também um problema de saúde pública. O Estado gasta rios de dinheiro pra tratar (muitas vezes sem sucesso) essa gentarada dependente. Mas, novamente, não é deste tipo de consequência que estou falando. Também não quero discorrer sobre o tráfico e toda a merda que rola graças a ele. A vida humana é doida e, se formos esmiuçar, cada um dos nossos atos tem conseqüências mais ou menos graves. Não vou ficar dando a fórmula do mundo ideal (apesar da minha inteligência fenomenal, não tenho essa receita), só quero deixar claro meu ponto de vista: o Estado que se foda pra resolver certos problemas. Muitas vezes ele é conivente demais com esta merda toda. Só quero garantir a minha tranqüilidade dentro deste caos estabelecido. Sim, você pode chamar isso de individualismo. Eu prefiro dizer que é uma misantropia capenga e uma tentativa de revolução pessoal (a única possível, começo a concordar). Não quero ter ingerência sobre a vida alheia, mas quero, sim, que estes fumantes filhos da puta não venham com os seus cigarros fedorentos e venenosos pro meu lado.
O cigarro é uma merda de uma droga lícita que a hipocrisia geral e o lobby das grandes empresas tabagistas fazem passar. Acho muito bom que o cerco aos fumantes venha se fechando pouco a pouco nos últimos anos. Tenho rinite, meu olfato é aguçadíssimo. Sinto cheiro de cigarro a quilômetros. Então é sempre muito ruim quando alguém fuma por perto. E acontece o tempo todo. Se ando pelas ruas, quase sempre é na condição de fumante passivo. Buenas, todo mundo sabe o quão saudável isso é. Porém, ainda que não houvesse esse prejuízo à saúde, os não-fumantes teriam todo o direito de não gostar e reclamar deste substrato desagradável que é a fumaça do cigarro. Quero andar por aí sem ter alguém largando essa fumaça na minha cara (não adianta trocar de calçada, eles estão em todos os lugares). 
O cerco aos tabagistas foi apertado, mas ainda não é o suficiente. Basicamente o que o fumante precisa entender é que o seu vício prejudica as outras pessoas. Na real, acho eles já entenderam, mas estão pouco se lixando (como quase todo mundo, em relação a quase qualquer coisa). Eu, no meu bunker, só posso ficar aliviado pelo fato de a maioria das pessoas (que gostam e fazem tantas merdas auto-destrutivas), pelo menos em relação ao cigarro, se posicionarem contra.
Agora é uma queda de braço. E acho que os fumantes vão perder... o cigarro vem acabando com o fôlego deles.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Das coisas que eu não gosto ( I )

Eu sou um chato. Em alguns aspectos acho que também posso ser considerado um straight-edge. Não gosto de muitas coisas que fazem o deleite das pessoas em geral. Mas, vejam bem, eu não sou chato porque não gosto destas coisas, eu sou chato porque não faço questão alguma de esconder que não gosto delas. Claro, não sou hipócrita. Se me chamam pra briga, eu vou. Na verdade, às vezes vou pra briga até sem me chamarem. Como eu disse, sou um chato. Moralista e doutrinador. Dono da verdade. Prazer! É que algumas coisas - aquelas que dizem respeito à justiça e à humanização - considero importantes demais pra não discutir.
A maioria das pessoas é burra, pusilânime, hipócrita e sofre de uma “fraqueza da vontade”, então não é difícil me encontrar brigando. Vivo na contramão. Tento ser lúcido, racional e ético enquanto o resto da galera se comporta como marionetes. Aceitam um condicionamento e agem todos da mesma maneira. É uma massa imbecilizada que se auto avaliza, dentro dela cada um é respaldado pelo outro. “Se todo mundo faz assim, então deve estar certo”. Eles não percebem que é exatamente o contrário. E se percebem, não fazem força pra mudar, afinal, “do jeito que tá, tá bom”. Mas bom pra quem, porra? Porque esse “bom” muitas vezes é ruim pra outro alguém e, geralmente, danoso pro planeta. Eles aplicam a Lei de Gerson (levar vantagem em tudo), eles fazem qualquer coisa em nome dos seus prazeres irresponsáveis, eles não querem soluções difíceis (que envolvam o seu aprimoramento como seres humanos – não, eles querem os atalhos) e, decididamente, eles não querem pensar. A maioria vai conseguir transformar a massa cinzenta numa gelatina antes dos 20 anos de idade e, depois, seguir a vida ao sabor da turba de acéfalos. É um corpo só, um movimento só.
Buenas... fiz uma lista das coisas que vêm me incomodando muito nos últimos tempos. Algumas bem sérias e profundas (Deus, por exemplo) e outras aparentemente sem importância (cartões de débito/crédito, por exemplo). Comecei com 7 itens, mas fui lembrando de outros e fechei em 12. Claro que a lista dos meus desgostos é bem maior do que isso. O apanhado aqui é meio genérico e diz respeito à vida moderna na cidade grande (na grande e provinciana Porto Alegre, nesse caso). Deixei de fora a política (assunto importante pra caramba, mas que não tenho mais saco nem competência pra discutir) e vários outros temas – talvez mais pertinentes – porque minha intenção é discorrer somente sobre coisas com as quais bato de frente quase todos os dias.
Nem todas essas coisas me irritam. Algumas me deixam perplexo. De qualquer maneira, gostaria que todas desaparecessem da face da terra para que a vida dos seres humanos se tornasse melhor. Minha intenção era escrever sobre os 12 tópicos de uma vez, mas quando comecei a empreitada, vi que alguns assuntos vão longe e precisam ser tratados com mais cuidado do que outros. Então vou escrever aos poucos, um tema de cada vez.
O primeiro:

FUTEBOL – Este é um assunto do tipo que me deixa perplexo. Acho que futebol é, numa primeira olhada, coisa de gente estúpida. Ópio do povo, pra usar um clichê bem aplicado. Só que tenho amigos bem inteligentes (alguns dos mais racionais) que, entra ano, sai ano, não deixam de torcer pelo “time do coração”. Tive também um professor de filosofia que gostava de dizer que era um adepto da razão, mas que quando ia ao estádio se transformava num torcedor fanático, do tipo que xinga a mãe do juiz, entre outras descomposturas. Então, porque levo fé nessa gente, quero dizer que minha opinião sobre futebol ainda tem uma margem de perplexidade. Gostaria que alguém me dissesse o que, afinal de contas, eu estou ignorando. Enquanto ninguém fizer isso, vou continuar repassando meus argumentos atrás de alguma falha, mas também alimentando gradativamente a suspeita de que talvez esteja superestimando meus amigos.
Começando pelo começo, o que faz alguém escolher um time em detrimento de outro? Geralmente é uma coisa de família. O pai é gremista, então já vai incutindo na cabecinha do filho que o “timão” é que é o bom. Na verdade começam com isso ainda antes de a criança nascer, comprando roupinhas, toalhinhas e toda uma variedade de produtos com as cores e o símbolo do time. A criança não tem escolha (embora, se tivesse, não fizesse muita diferença). O futebol, muitas vezes, é uma das coisas mais agregadoras de uma célula familiar. Haverá quem ache isso muito bonito, mas na verdade é muito triste. Se você não consegue ver que as razões para manter uma família unida deveriam ser outras, então nem continue lendo este texto. O time vira uma espécie de definidor da personalidade do sujeito, mas é uma definição pra lá de suspeita (tenho amigos colorados que não se cansam de dizer que o Inter é “o time do povo” e que o Grêmio é um time de “elites”, não importando o quão anacrônico e disparatado isso soe). Eles vão pro estádio e se sentem irmanados. Não faz mal que o cara ao lado, berrando feliz, possa ser o mesmo que amanhã vai provocar uma briga no trânsito ou votar no partido de oposição ao que eles votam. Por que importaria? Eles não se incomodam nem mesmo de torcer por um atleta que ainda ontem, quando jogava no time adversário, odiavam. Essa é uma das minhas principais broncas com o futebol. O que vem a ser um time? O que define um clube? Teria de haver alguma coisa fixa nesse objeto eleito, algo que o diferenciasse de outro e que justificasse a escolha. Eu tento, mas não consigo identificar. Pra mim, parecem todos iguais. Não pode ser os jogadores, pois esses vivem pulando de uma equipe pra outra. É então a história do clube? Mas a história antiga ou a recente? A história recente ainda confirma a antiga? Quem sabe trata-se do número de vitórias e títulos conquistados? Algo assim justificaria uma crença na superioridade deste clube. Ao longo dos anos, tendo passado dezenas destes campeonatos estúpidos e repetitivos (futebol é uma novela dos homens), um ou outro clube certamente tem mais proezas pra contar, mais troféus pra exibir e, talvez, mais dinheiro em caixa. Mas quando o pequeno futuro fanático está lá sofrendo a lavagem cerebral por parte dos pais, não tem condições de avaliar este tipo de coisa. Então, supondo que exista um time “certo” a escolher, o cara cujo pai estava errado vai ter que arcar pro resto da vida com o peso de uma escolha que não fez? A pergunta talvez seja: ele tem culpa de torcer pro time “errado”? Bobagem! Ninguém jamais vai se fazer esta pergunta. Todo mundo “ama” o seu time. Eles às vezes sofrem, é certo, mas não pensam em trocar de camiseta. Na verdade, é graças a essas escolhas infundadas que existem as rivalidades, e graças às rivalidades que o futebol permanece uma insanidade coletiva.
No final das contas é só mais uma afirmação vazia de personalidade. Como os bairrismos. Orgulho de ser gaúcho. Orgulho disso. Orgulho daquilo. Orgulho de coisas sobre as quais o sujeito não teve participação. O que é isso? Orgulho de ter nascido em determinado lugar sob determinadas circunstâncias? A verdade é que se o cara tivesse nascido na Etiópia e o seu clube tivesse o nível do Íbis, provavelmente sentiria orgulho disso também. Por que seria o seu quintal, e as pessoas (em geral) não conseguem jamais sair do seu quadrado. Pense nisso, meu caro fanático (gremista ou colorado): se você tivesse nascido no Rio de Janeiro, seu time do coração seria o Flamengo, ou o Fluminense, ou o Botafogo, etc. O que você faria com este discursozinho a respeito das qualidades do seu time? Você teria crescido aprendendo a amar o “mengão”! Todas essa papagaiada sobre “raça”, “tradição” e outras bobagens (subjetivas e fantasiosas) que hoje você acha que são exclusividade do seu time, seria simplesmente canalizada pra um outro brasão. Ou seja, toda a “verdade” sobre o seu time não passa de auto-sugestão e/ou propaganda sistemática.
Não existe um valor absoluto num time. É apenas uma projeção surgida em circunstâncias específicas. O torcedor do Grêmio é igual ao do Corinthians que é igual ao do Cruzeiro que é igual ao do Vitória, etc, etc, etc. Mas quando eles entram num estádio, cada um se sente o mais “escolhido de Deus”. Isso é tão verdade que se vê na retórica dos jogadores: “... se deus ajudar”, “... deus nos ajudou” e por aí vai. O torcedor mais culto certamente percebe o absurdo disso, mas não vê que é igualmente estúpida a sua vontade de ter confirmada a supremacia do seu time. Se o meu time ganha, isso significa o que? Que os meus jogadores (que amanhã estarão na Europa) são melhores? Que o meu técnico (que amanhã vai pra outro clube) foi mais esperto que os outros? Ou que foi um “desígnio maior”, a vontade de deus? Peraí, deus nós já descartamos... ficam então as outras causas, ambas circunstanciais, obras de uma confluência enorme de fatores que nada (ou apenas por causalidade) têm a ver com aquilo que eu acho que define o meu time. Então, se ele ganha, significa apenas que o objeto no qual eu escolhi projetar minha paixão se deu bem desta vez. Só isso. Amanhã vou projetar essa paixão de novo e posso ter minhas expectativas frustradas. Isso vai acontecer, ou não, independente de mim e das qualidades que eu atribuo ao time. O resto são coincidências que alimentam as mais esdrúxulas crenças e superstições.
E tem o monte de merdas que acontecem graças ao futebol. Não tenho a menor dúvida de que a invenção do Sr. Charles Miller é um perpetuador de injustiças. Acredito que muitas pessoas percebem a irracionalidade do futebol e continuam na “brincadeira” porque é necessário, afinal de contas, canalizar e extravasar a paixão. É tudo muito grande, a emoção deve ser intensa. Buenas, se a coisa ficasse só nisso, tudo bem. Mas novamente (e sempre) caímos na questão ética: que direito têm as pessoas a um prazer que, numa análise mais profunda, traz mais prejuízos do que benefícios ao mundo? Você pode até discordar disso. Pode acreditar que são mais benefícios do que prejuízos, mas ainda assim, que direito tem qualquer coisa de causar qualquer prejuízo? Perguntem pro prejudicado.
Discussão delicada essa, mas podemos colocar deste modo: eu tenho o direito de dizimar uma vila com 300 pessoas para que sobreviva uma cidade com 300 mil? Isso sim é um dilema ético. Um negócio que “apaixona” o mundo inteiro certamente deve ter seus pontos positivos, mas só o processo de alienação das pessoas, no qual o futebol é um dos maiores agentes, já serviria como argumento irrefutável pra sua condenação. Mostre-me um sujeito inteligente e crítico que gosta de futebol, que eu mostro milhares de pessoas embotadas, embrutecidas e incapazes de pensar. A culpa é do futebol? Sim. Não só dele, mas é. O futebol, depois da religião, é o maior dos fenômenos de massas (isto é uma ilação minha, mas se não for assim, deve ser quase isso). Uma coisa tão grande pressupõe grandes responsabilidades. Mas, assim como na religião, elas são sempre negligenciadas em prol dos interesses de uma gente graúda, e provavelmente amoral, que manda no mundo.
Ainda sobre as merdas, vamos falar de violência. Eu quero que o meu time vença! Tá, mas qual a razão deste querer? O que eu ganho com isso? Eu sei: uma alegria. Uma alegria que se torna maior porque é coletiva. Beleza. Mas e o derrotado? E a tristeza do torcedor perdedor? Será que no final das contas é isso: eu me sinto feliz apesar da (ou pior: com) a tristeza do outro? Claro que sim, pois quando eu estou lá, aqueles caras no outro lado das arquibancadas são meus inimigos mortais. Eu quero vencê-los, humilhá-los, tripudiá-los. E se der briga, sou capaz de matar um. Talvez me redima o fato de que a recíproca é verdadeira. Enfim, somos todos bárbaros, nós, amantes do futebol. Ah, você não é assim? Isso é coisa de torcida organizada? E ainda assim, não de todas? Hum... talvez você queira dizer que isto é outra coisa bonita do futebol, tem gente de todos os estratos sociais por lá. E de todos os tipos. Buenas, voltamos à questão lá de cima: se o futebol é um fenômeno que propicia (e estimula) também as manifestações violentas, que direito tem você de dar corpo a esse fenômeno? Ah, os outros – os briguentos – é que não têm o direito de estragar o seu prazer? Talvez você tenha razão. No dia em o mundo for perfeito (sim, por que a violência que se manifesta no estádio tem suas origens em outros lugares), você poderá se deleitar mais tranquilamente. Até lá, continue levando sua mulher e o seu filho pro estádio para que eles possam ouvir coisas bonitas como essa: Atirei o pau no inter/e mandei toma no cu/Macacada filha da puta/chupa rola e dá o cu/Hei! Inter vai toma no cu!!!
As TVs, auxiliadas pelos seus comentaristas semi-acéfalos de futebol (gostaria de saber quantos - e quais - livros esses caras leram no último ano), adoram mostrar mulheres, crianças, famílias inteiras nas arquibancadas. Tipo: futebol é uma coisa bonita, que envolve toda a gente. Buenas, o natal, as novelas, os passeios no shopping e mais um monte de bobagens também envolvem toda a família e estão longe de ser coisas positivas. O fato de estar lá um grupo inteiro em vez de um cara só, apenas demonstra o quão feroz é o processo de alienação que as TVs promovem. Não é difícil ver que se trata, principalmente, de negócios. Os clubes de futebol (assim como as igrejas) são empresas. Os clubes de futebol e as TVs são parceiros comerciais. E é o seu dinheiro que faz estas engrenagens funcionarem.
Resumindo, o futebol pertence à categoria dos prazeres irresponsáveis. Ele nada mais é do que o objeto no qual milhões de indivíduos projetam o seu potencial de paixão. Uma projeção que já seria grave pelo que tem de irracional, mas que fica ainda pior porque perpetua injustiças. Não citei neste texto os salários estratosféricos que os jogadores recebem (mais os bichos e a grana do merchandising), não falei das suas inteligências rasas e do seu comportamento cada vez mais mercenário, não comentei as falcatruas que vez ou outra se descobre orquestradas pelos cartolas, não mencionei as arbitragens e os seus erros (intencionais ou não), não critiquei diretamente as consequências do culto a uma “pátria de chuteiras”, não escrevi enfim, sobre muitas facetas negativas do futebol. Seria preciso um livro pra tratar devidamente do assunto. Mas acho que consegui externar satisfatoriamente a minha perplexidade. Não para com o povão (porque deste eu sinto pena – e muitas vezes raiva - mas não espero nada), mas sim para com os meus amigos e pessoas tidas como intelectuais (Chico Buarque, por exemplo) que gostam de futebol. 
Sempre penso neles quando recordo a opinião do Borges sobre o esporte: “o futebol é popular porque a estupidez é popular”.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Quero voltar a ser criança...

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Asterios Polyp

Não lembro exatamente quando se deu meu primeiro contato com os desenhos de David Mazzucchelli, mas sei que foi com os gibis da Marvel. Não era dos meus artistas prediletos. Eu tinha um gosto pouco refinado e preferia John Byrne a Frank Miller, por exemplo. Era incapaz de perceber o valor de alguns caras para quem, hoje, eu lamberia o chão.
Sempre falo aqui do impacto que foi pra mim (e pra todo mundo) a publicação de “O Cavaleiro das Trevas”, do Frank Miller. Pois bem, acho que dá pra dizer que foi a partir daí que meus olhos se abriram. Quando comecei a leitura, achei estranhos e feios aqueles desenhos, mas ao final do primeiro dos quatro volumes já tinha colocado o Miller no assento mais nobre do meu panteão de quadrinistas. Quando terminei o quarto volume pensei: meu deus... agora o mundo acabou, nada pode ser tão bom quanto isso. Pois bem, eu estava enganado.
Na sequência de O Cavaleiro das Trevas (mais ou menos um ano depois) veio Batman Ano 1, com roteiro de Frank Miller e desenhos de David Mazzucchelli. Eu, que já estava curtindo a arte inovadora do Miller, não gostei muito da novidade. E era, de novo, uma sensação de estranheza com relação ao desenho. Eu já conhecia o traço do Mazzucchelli e não entendi por que então aqueles quadrinhos com a cara dos primórdios do Batman. À primeira vista, parecia uma arte simples. Só à primeira vista.  Na verdade, era outra vez um troço genial acontecendo diante dos olhos. Página após página, um deslumbramento. Não à toa, o Mazzucchelli foi aclamado e ganhou vários prêmios na época. A palavra pra definir a coisa é essa mesma, “genial”. História genial (as tramas de ação com pegada policial – muitíssimo bem elaboradas - do Frank Miller), desenhos geniais (a exploração de luz/sombra e o traço econômico usado com mestria pelo Mazzucchelli). Releio aquilo incansavelmente. Tenho sempre a impressão de estar vendo um filme. É uma obra-prima.
Pois bem, feito este intróito, quero comentar a minha única aquisição na Feira do Livro de Porto Alegre deste ano: Asterios Polyp (Quadrinhos na Cia. – tradução de Daniel Pellizzari), a graphic novel do Mazzucchelli que arrebatou três prêmios Eisner em 2010, além de outras distinções não tão famosas do mundo dos quadrinhos.
Coisa finíssima. Um livro massudo (não sei quantas páginas, pois elas não são numeradas) que explora ao máximo algumas das possibilidades narrativas da nona arte. É um trabalho completamente diferente daqueles do Mazzucchelli dos quadrinhos de heróis. O traço é mais “cartoon”, me lembrou os desenhos do Tim Tim e de alguns outros personagens menos conhecidos. Mas não se engane, é coisa de “gente grande”, uma novela cheia de sutilezas e sugestões, que procura explorar o psicológico e se vale de muita semiótica pra “ilustrar” os humores, a concepção de mundo, o tempo, o espaço e as circunstâncias dos personagens que transitam pela história. Uma história que pode ser resumida assim: professor universitário cinqüentão - em crise após uma separação - sofre uma tragédia e muda radicalmente de vida. A coisa se desenvolve sem pressa e sem grandes acontecimentos. A história vai e vem entre o passado e o presente e em “intervenções narrativas” que consistem em sonhos, recortes e comentários “extra-temporais” do irmão natimorto do personagem principal. Sim, um irmão natimorto. Asterios Polyp perdeu um irmão gêmeo na hora do nascimento. Esta imagem do duplo, nas suas muitas manifestações e nos seus mais diversos aspectos, tem uma função importante na evolução da história. Eu poderia escrever sobre esses desdobramentos, mas não é o que quero aqui. ESTE TEXTO (dê um clique), embora muitas vezes afirme exatamente o oposto do que penso, é ideal para quem quiser saber mais.
A minha conversa é outra.
O que eu quero dizer é: apesar de toda a originalidade do projeto, de toda a riqueza de referências, de toda profundidade que o autor buscou e de toda a “poesia gráfica” que ele conseguiu, não gostei.  Basicamente a queixa é esta: a história não empolga, não surpreende. Não se trata apenas da expectativa que eu poderia ter com um desenhista que me cativou pela “mão boa” pra ação. O resultado visual é bonito, mas a história em si é fraca. O texto do link acima não economiza elogios à obra (e talvez eu devesse tentar uma segunda leitura pra ver se a impressão muda), mas terminei o livro e ficou aquela sensação: tá... era isso?
Como experiência - ou experimentação - em quadrinhos, Asterios Polyp é bastante original. Provavelmente vai se tornar uma referência. O Mazzucchelli tentou caracterizar os principais personagens com um “traço”, uma cor, um balãozinho e uma tipologia diferentes. Usou de muita criatividade (e inteligência, e técnica) para definir o leque de elementos gráficos que compõe o universo de cada personagem. Essa, na minha opinião, é a principal riqueza do material: a diversidade de tipos criados e o máximo de “identidade gráfica” que o autor conseguiu imprimir (também literalmente, neste caso) a cada um. O estilo do desenho muda de um personagem pra outro, mas o Mazzucchelli conseguiu fazer isso sem perder a coerência, a unidade visual. Isto, mais do que a originalidade da ideia, talvez seja seu maior mérito. Porque a ideia é nova, mas não atesta uma maior competência do autor. É bem mais admirável o desenhista que cria – mantendo sempre o mesmo estilo - vários personagens diferentes e convincentes. O Mazzucchelli poderia fazer isso também, é claro. Mas trata-se de uma proposta diferente. E depois, no final de tudo, vai se tratar de uma afinidade artístico-espiritual entre o autor e seus potenciais admiradores. Existe um tipo de leitor que vai gostar dessa coisa que resolvi chamar “poesia gráfica”. O livro vai satisfazer a algumas sensibilidades mais do que a outras, mas não sei se dá pra dizer que é apenas uma questão de gosto. Na real, nunca é. Este trabalho tem ares de boa literatura, pode impressionar alguns incautos, mas não àqueles que estão acostumados com os escritores mais fodões. Porque em resumo é isso: se você tirar os adereços de Asterios Polyp, a história que fica não é lá essas coisas.
Essa graphic novel é como alguns filmes que se valem de uma bela fotografia, enquadramentos inusitados, planos diversos, metalinguagem, semiótica e mais uma dúzia de recursos visuais e narrativos pra contar uma história comum. Muitas vezes essas histórias acabam valendo a pena exatamente pela maneira como foram contadas. Não acho que isso seja um problema e também não tenho nada contra as histórias comuns, mas penso que em quadrinhos a coisa não funciona tão bem quanto no cinema.
Posso estar completamente equivocado (não sou o sujeito mais sensível nem o mais esperto do mundo), mas prefiro o Mazzucchelli desenhando as ideias de outros caras. De qualquer maneira, ainda é um dos meus quadrinistas prediletos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Adrenalina

É foda! Dia desses dei uma passeada no Parque Marinha do Brasil e fiquei impressionado com a gurizada andando de skate. Lá tem um "snake", que é um buraco no chão. Mas não é um simples buraco... é um buraco que vai aumentando, ondulando, descendo... Bah, achei aquilo sensacional.
Quando eu tinha meus 18, saí da casa dos meus pais e fui morar no centro de Canoas, junto com meu irmão e um amigo. Os dois, que já curtiam, logo se enturmaram com uma galera skatista do Centro. Eu achava aquilo meio sem graça. Hoje, 20 anos depois, vejo que devia ter entrado na onda.
Buenas... sou meio sem-noção e acho que sofro da síndrome de Peter Pan, então resolvi pedir pro meu irmão me dar umas aulas de skate. Ele me levou a sério... só falta eu comprar o "carrinho". Enquanto não compro, ele fica me mandando vídeos, pra eu me animar. Não só de skate, mas de esportes radicais em geral. Putz, não tem como não se empolgar vendo coisas assim.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Você não consegue uma sequência do mesmo tipo desta aí de cima com nenhum outro número do calendário (não é possível, por exemplo: 22/22/22). E sabe quando ela vai se repetir? Só em 11 de novembro de 3011. Espere um milênio, então.
Informação inútil, eu sei (e forçada, afinal o ano é 2011, e não 11). É que estou enrolando aqui na agência, fugindo até o último minuto da diagramação de um jornalzinho em Corel. Quem trabalha com estas coisas, sabe: o Corel é um programa capaz de tirar do sério até mesmo um monge budista chapado com anestésico pra elefante.

Buenas... vou procurar mais alguma informação inútil.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Johnny Cash


Há alguns anos (e já pode botar alguns nisso), meu amigo Wilson me passou uns arquivos MP3. Tratava-se de dois discos que o meu camarada achou que eu poderia gostar:  um do Johnny Cash e outro do Solomon Burke. Este último, apesar de também ser legal, confesso que não ouvi muito, mas o outro me pegou em cheio. O disco era American III - Solitary Man. Bah, muito foda.  Aquela voz cavernosa do velho Cash fazendo uns covers taludos de artistas como Nick Cave, U2, Tom Petty e outros - além de composições próprias - é um negócio difícil de adjetivar. O tempo passa e não canso de ouvir o cara.
Hoje, sei lá porque razão, resolvi procurar a tradução de "I See a Darkness", a minha favorita no disco (que na verdade não é do JC, é de um tal Will Oldham). O inglês do Cash é bem escandido nestas músicas, a gente meio que saca a mensagem, mas não tudo (meu inglês tá longe de dar pro gasto). Foi uma grata surpresa finalmente entender a coisa do início ao fim. Grata porque me identifiquei muito. Caralho, é bonita demais a letra. Se a tradução tá ok, é uma poesia que fala de amizade, de dúvidas, de resignação e de esperanças. Melancólica até o tutano dos ossos.
Buenas, coloquei aqui a letra original, a tradução e um vídeo. Dedico o pacote a vários amigos meus, caras com quem, num momento ou noutro, dividi uma mesa de bar e joguei muita conversa fora. Ou muita conversa dentro. Caraaaas, vocês são meus irmãos!

I See A Darkness

Well, you're my friend
And can you see?
Many times we've been out drinking
Many times we've shared our thoughts
But did you ever, ever notice
The kind of thoughts I got?
Well, you know, I have a love,
A love for everyone I know
And you know I have a drive
To live, I won't let go
But could you see its opposition?
Comes rising up sometimes
That is dreadful and imposition
Comes blacking in my mind

And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
And then I see a darkness
Did you know how much I love you?
Is there hope that, somehow, you
Can save me from this darkness?

Well, I hope that someday, buddy,
We'll have peace in our lives
Together or apart
Alone or whit our wives
And we can stop our whoring
And pull the smiles inside
And light it up forever
And never go to sleep
My best-unbeaten brother
This isn't all I see

Oh no, I see a darkness
Oh no, I see a darkness
Oh no, I see a darkness
Oh no, I see a darkness
Did you know how much I love you?
Is there hope that, somehow, you
Can save me from this darkness?

Eu Vejo Uma Escuridão

Bem, você é meu amigo
e você entende?
muitas vezes temos saído para beber
Muitas vezes partilhamos nossos pensamentos
Você nunca, nunca percebeu,
os tipos de pensamento que eu tenho?
Bem, você sabe que eu tenho um amor,
um amor por todos que conheço
E você sabe que tenho uma direção,
a vida, não vou deixar que se vá
Mas você pode ver essa oposição
vem aumentando em mim
Esta terrível imposição,
vem escurecendo a minha mente

Então eu vejo uma escuridão
Então eu vejo uma escuridão
Então eu vejo uma escuridão
Então eu vejo uma escuridão
Você sabia o quanto eu te amo ?
Há alguma esperança, de alguma maneira, você
poder me salvar dessas trevas?

Bom, espero que algum dia em breve
Iremos encontrar a paz em nossas vidas
Juntos ou separados
Sozinho ou com as nossas esposas
E podemos parar a nossa tristeza
E trazer os risos de dentro
E a luz se acenda para sempre
E nunca mais se apague
Meu melhor e imbatível irmão
Isso não é tudo que eu vejo

Ah, não, vejo uma escuridão
Ah, não, vejo uma escuridão
Ah, não, vejo uma escuridão
Ah, não, vejo uma escuridão
Você sabia o quanto eu te amo ?
Há alguma esperança de alguma maneira, você
me salvar dessas trevas?


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quase um alcoólatra...

Minhas mãos tremem um pouco enquanto escrevo este post. É porque bebi demais ontem. Demais pro meu tamanho, quero dizer. Talvez demais para uma véspera de dia de trabalho. Meu amigo Daniel não presta. Agora vive me arrastando pro Dirty Old Man, um bar inspirado no Bukowski, lá na Cidade Baixa. Legal o bar, bebidas boas, mulheres bonitas (incluindo as garçonetes, que são umas lindinhas). Bebi ontem um Manhattan Dry (dose generosa) e um Black Russian (igualmente) e depois, apesar de a vida ter me ensinado a não misturar bebidas, dividimos uma cerveja artesanal chamada Whitehead. Boa. Mas boa mesmo foi a que tomamos depois, uma ceva amarguíssima - produzida em POA - chamada Green Cow. Em termos de amargor faz a Heineken parecer um chazinho. E então, porque já tavam botando os bancos em cima da mesa (a ideia era voltar cedo, mas SEMPRE ficamos lá até fechar - e não pegamos ninguém... é foda!) tomamos a saideira: uma dose de Jack Daniel's pra cada um (cowboy, gostaria de frisar). Não é bebida pra derrubar um elefante, eu sei, mas pra mim, que só tomava cerveja, parece coisa doutro mundo. O massa é que as bebidas são boas, de qualidade. Sempre acordo bem no dia seguinte.
Aí, hoje de manhã, resolvi fazer uma caricatura do Buko, já que tô nesse clima.
Gosto e não gosto do Bukowski. É a minha relação com os leoninos: Caetano Veloso, Bernard Shaw, Wander Wildner (de quem peguei o título lá de cima), meu amigo Jeferson e outros. Eles são massa. São inteligentes, divertidos e até o narcisismo deles tem seu charme. Mas claro, também são uns malas que às vezes saem falando merda. Alguém vai dizer: como todo mundo, seu mané! Eu responderei: não... é diferente, mas não quero explicar agora.
Buenas... tá na hora do meu almoço... fica aí o desenho do "Chinaski". Um brinde a você, velho safado!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O reclamão

Quando eu morava em Canoas vivia me estressando com a péssima qualidade do transporte público de lá. Os ônibus de dentro e os intermunicipais, tudo era ruim (pelo menos as linhas do Mathias Velho, bairro onde eu morava). O trensurb e o serviço de Integração (ônibus que pega no trem e leva pro bairro) também... péssimos. Dei um jeito de voltar ligeirinho a morar em Porto Alegre, pra ficar próximo do trabalho. Gasto uma grana com aluguel e etc, mas me poupo da agonia (física e psicológica) de usar ônibus e/ou metrô na hora do rush. Se você pega um ônibus pra Canoas às 18h e pouco, é quase certo que vai encarar um engarrafamento gigantesco que começa ali pelo aeroporto e só termina depois da ponte, na divisa Canoas/Porto Alegre. Ah, claro, ônibus cheio. Se pega o trem, não pode ser claustrofóbico. Cada mínimo espaço dentro do vagão é preenchido. Você é empurrado, espremido, acotovelado e, de vez em quando, tem que aguentar alguns cheiros não muito agradáveis devido à proximidade inevitável de outros passageiros. Ah, antes, quando o trem chega na estação, saia da frente ou você será atropelado por uma manada de gente mal educada que entra no vagão como se a vida delas dependesse de conseguir um lugar pra sentar.
Pois bem, este é o quadro. Isto é o que o "pobre trabalhador" da região metropolitana tem que suportar todos os dias. Talvez seja o que eles merecem. As pessoas são embotadas, embrutecidas... parecem não se incomodar com nada. Principalmente não reclamam de nada. Você pode sapatear na cabeça delas que a única reação será um grunhido, quando muito. Buenas, eu reclamava. Mandei muitos emails pra Vicasa, em Canoas, criticando principalmente o serviço de Integração. Nunca fez diferença. As coisas seguiram do mesmo jeito. Pessoas apertadas como sardinha, pessoas mofando nas paradas, pessoas pagando uma passagem nada barata. São as mesmas pessoas preocupadas apenas em chegar logo em casa (ou no trabalho), ignorantes dos seus direitos e do seu poder. Pessoas de caras cansadas, de rugas precoces e salientes, de gorduras sobrando pra todos os lados, pessoas fumando o seu cigarrinho venenoso pra aguentar a pressão. Vão chegar em casa e ver novela. No meio desta gente que parece não se importar com nada tem um ou dois Telmos. Que não fazem porra de diferença nenhuma. E os empresários, MILIONÁRIOS, ficando cada vez ricos, obrigado.
Buenas, tudo isso foi apenas um preâmbulo pra dizer que esta semana tive que mandar um email pra Carris. Aqui a coisa é um pouco mais triste porque o transporte público em Porto Alegre já teve dias melhores, já foi referência e merecedor de muitos elogios. Escrevi um email indignado pro SACC deles. Se dignaram a pelo menos mandar uma resposta (coisa que nunca recebi da Vicasa). É uma resposta padrão, provavelmente a mesma que é enviada pra todo mundo, mas já é alguma coisa. Dá pra desconfiar que pelo menos leram o email.

Moro no Centro de Porto Alegre e utilizo, vez ou outra, as linhas circulares C1, C2 ou C3. Gostaria de utilizá-las mais, mas o serviço é tão ruim que opto sempre por caminhar do Mercado Público até minha casa, perto do Gasômetro. Não é perto e mts vezes estou tremendamente cansado, mas já aprendi que esperar os circulares é tarefa quase sempre exasperante. Só que ontem vocês se superaram. Ontem o serviço conseguiu ser pior do que já era (embora pareça difícil piorar algo tão ruim). Era em torno de 19h. Esperei, junto com muitas outras pessoas, uma eternidade pelo C1. Na chuva. Em outros tempos se espera no frio, e mesmo quando eles chegam, ficam parados um tempão, com as portas fechadas. Aí, tentando melhor sorte, fui pra parada do C3, que demora muito mais pra me deixar em casa. Qual o que... mais uma eternidade esperando. E creiam, não estou sendo exagerado. Vi a chegada de uns dez Auxiliadoras, Rio Branco, Carlos Gomes, etc. Mas nada do C3. Enquanto isso, na parada do C1/C2, só chegavam ônibus (estes pequenos, ridículos, que vocês botaram pra substituir os antigos) “fora de serviço”. Por que tanta demora? Foi por causa da chuva? Por causa do trânsito no horário de pico? Bom, seja qual for o motivo, penso que é obrigação de vocês pensar em uma solução. Coloquem mais ônibus. Coloquem ônibus emergenciais (que saiam do centro) quando os outros estiverem presos no trânsito. Sim, estes também ficarão presos, mas garanto aos senhores que é muito melhor ficar parado dentro de um ônibus do que na chuva e no frio. 
Porto Alegre já foi uma referência em qualidade de transporte público. É triste que isto tenha se perdido. É triste o descaso para com os usuários. Vocês podem alegar que o número de passageiros não justifica uma frota maior, mas devo lembrá-los que, assim como eu, muita gente só não usa o serviço porque ele é RUIM. E de qualquer maneira, os poucos usuários que existem merecem um melhor tratamento. Fica então o pedido: tentem melhorar este serviço, por favor, façam uma experiência. 
As pessoas em geral são acomodadas, incapazes de fazer valer sua indignação (fico imaginando quantos emails iguais a este vocês receberam... provavelmente nenhum) e assim explicitar a gravidade do problema. Por isso sugiro aos senhores que tentem usar um dos circulares num dia de chuva e/ou frio em horário de pico. Garanto que vai mudar a sua opinião a respeito da coisa.

Mario Guerreiro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Minha filha rock and roll

Minha filha vai fazer 15 anos no início do mês que vem. Eu vou fazer 40, no dia 17. Ela odeia quando acontece, mas na rua já pensaram que éramos namorados, re, re, re. Somos escorpianos os dois. E estamos afinados. Depois de ter transitado por zonas nebulosas da música, a mocinha descobriu o rock'n roll. Numa época em que tantos adolescentes (e seus estúpidos pais) ouvem toneladas de lixo, é um alento ter uma filha que gosta de rock. Não que o rock esteja isento de críticas, longe disso, mas este tipo de música, enquanto estilo, enquanto comportamento, é infinitamente mais recomendável do que o resto das coisas que a gurizadinha anda consumindo.
E hoje falei com ela no Gtalk. Um pouco pra guardar pra posteridade, um pouco porque o blog tá meio abandonado, resolvi postar aqui a nossa conversa. Foi divertida.

eu:  Oi, cara de boi
 Melissa:  ooi
 eu:  tua mãe falou que eu liguei?
 Melissa:  sim
 eu:  então... já marquei a consulta... segunda, 10:30
 Melissa:  tenho prova
 eu:  ihh... sério?
 Enviado às 14:13 de quinta-feira
 Melissa:  capaz
mas eu pego atestado
 eu:  tá.. então tu vem?
tem que decidir logo... senão eu vou desmarcar
 Melissa:  vou ter que ir né?
fazer o que...
daí eu ficarei cntg até segfunda
segunda*
adivinha quem virá morar aqui?
 eu:  aqui onde? na tua casa? em N Sta Rita? Em poa? No Brasil?
 Melissa:  minha home
 eu:  tudo é aqui pra mim
 Melissa:  ha ha ha
 eu:  deixa eu ver... a Júlia?
 Melissa:  sim
amanhã
 eu:  legal... tu vai ter uma amiguinha pra brincar... re, re, re
 Melissa:  ra ra ra
que graça
tu vai amanhã pra lá?
matyhias
mathias*
 eu:  não sei... a princípio sim... mas sabe como sou...
 Melissa:  talvez eu ganhe uma camiseta ou box do SEX PISOLS de aniver
QUE TUDO -
PISTOLS*
 eu:  rs... vai ouvir sex pistols primeiro, pra depois comemorar...
 Melissa:  mas eu baixei um onte de musica deles
e  gosto SIM
tu acha que não
mas SIM
 eu:  rs... minha filha é punk
 Melissa:  ??
 eu:  vamos montar uma banda punk?
 Melissa:  eu & tu Tu & eu?
ô vambora
 eu:  bora...
 Melissa:  então tá
 eu:  tu vai amanhã?
 Melissa:  pra lá? sim
 eu:  é hoje o VMB?
tu vai olhar?
 Melissa:  aquela porcaria? sim, as 22hs
 eu:  pq porcaria?
 Melissa:  pq é uma merda
só banda ruim vai tocar
tirando o arnaldo antunes
 eu:  então não olha
 Melissa:  mas é claro que não
só quero ver quem vai ganhar o artista internacional
tomara qe seja o FOO FIGHTERS ou STROKES
 eu:  mas eles vêm pra receber?
 Melissa:  não, o vencedor da promoção vai viajar com o didi pra entegar em mãos
ta vou lá
beijo, me liga hoje
te amo mt!
 eu:  o Didi... tu vê... a Globo emprestou ele pra MTV?
 Melissa:  hahaha
mt bos
 eu:  bjs... I love you
 Melissa:  boa*
hsuahsuas
 Enviado às 14:29 de quinta-feira